Case Volvo do Brasil: como a impressão 3D em TPU reduziu 19% do custo de peças de reposição
Setor: Automotivo
Aplicação: Peças de reposição para manutenção de linha
Tecnologia: Extrusão de material (FFF) em TPU 95A
Na fábrica da Volvo do Brasil em Curitiba (PR), uma peça pequena de reposição, essencial para a linha de furação profunda, dependia de um centro de usinagem com pouca disponibilidade e de um processo caro. Em um projeto desenvolvido com a Slim h7, a peça passou a ser produzida com impressão 3D por extrusão de material, sob demanda e dentro da própria manutenção. Este case mostra os critérios técnicos de cada decisão e o que o resultado significa para quem gerencia manutenção, engenharia de processos e custos industriais.
O contexto: uma peça pequena com impacto direto na disponibilidade da linha
Na furação profunda, ferramentas longas trabalham com alta exigência de alinhamento e estabilidade. Na fábrica da Volvo, uma peça usinada em nylon PA6 tinha a função de travar o movimento axial dessas ferramentas. É um componente simples na aparência, mas sua falta significa parada de linha.
Dois fatores transformavam a reposição em um problema recorrente para a manutenção:
- Capacidade escassa no centro de usinagem. A reposição concorria por horas de máquina e enfrentava longas esperas.
- Custo elevado de usinar nylon. O processo convencional, somado ao valor da hora de máquina, encarecia um item de consumo frequente.
A Volvo buscou então uma alternativa de processo e de material que fosse, ao mesmo tempo, econômica e confiável.
Os critérios de aprovação do projeto
O projeto partiu de quatro critérios claros, que servem de referência para qualquer avaliação de peça de reposição por manufatura aditiva:
- Geometria: modelo CAD fiel à peça original, respeitando as tolerâncias exigidas na montagem.
- Custo: fabricação por um valor inferior ao da usinagem convencional.
- Prazo: produção em tempo compatível com a rotina da manutenção.
- Durabilidade: vida útil equivalente à da peça usinada ou, se menor, custo tão inferior que compensasse a troca, sem comprometer qualidade e função.
A solução, em três etapas
1. Engenharia reversa e validação de tolerâncias
A primeira etapa foi desenvolver os modelos CAD da peça e verificar se a manufatura aditiva atenderia às tolerâncias geométricas da aplicação. A análise mostrou que as duas famílias de tecnologia avaliadas eram capazes disso: a extrusão de material, que trabalha com filamento, e a fotopolimerização, que trabalha com resina.
2. Filamento ou resina: a comparação entre as tecnologias
Com as duas opções aprovadas em geometria, a equipe fez uma comparação detalhada entre elas. A extrusão de material se mostrou mais adequada às necessidades específicas do cliente e às propriedades desejadas para a peça, principalmente pela disponibilidade de elastômeros técnicos como o TPU. O quadro abaixo resume como as duas tecnologias do portfólio Slim h7 se comparam:
| Categoria | Extrusão de material (escolhida) | Fotopolimerização |
|---|---|---|
| Princípio | Fabricação por filamento fundido (FFF) | Estereolitografia por máscara (MSLA) |
| Precisão dimensional | ± 0,2 mm | ± 0,01 mm |
| Materiais | Termoplásticos, elastômeros e compósitos | Resinas fotocuráveis em 405 nm (flexível, impacto, calcináveis e de aplicações médicas) |
| Vantagens | Maior gama de materiais; impressão multicores ou multimateriais; maior capacidade de impressão em tamanho; melhor opção de entrada para manufatura aditiva | Maior qualidade superficial e riqueza de detalhes; maior uniformidade e precisão em toda a peça; maior produtividade por área; mais indicada para peças pequenas, detalhadas e produzidas em lote |
| Limitações | Linhas de impressão bem visíveis; resistência varia conforme a orientação de impressão; precisão dimensional varia conforme o material | Materiais não suportam exposição prolongada à luz UV; exige pós-processo, lavagem e pós-cura; exige furos de escape em geometrias ocas; deformação em paredes muito altas e finas |
| Equipamentos no portfólio | Ender, séries K1 e K2 Creality; série Kobra Anycubic e Elegoo de grandes formatos | Anycubic M7 e Photon Mono P1 |
3. Seleção do material: por que TPU 95A
A escolha do filamento TPU 95A veio de um estudo das propriedades mecânicas exigidas pela aplicação, complementado por testes de durabilidade que confirmaram a viabilidade da solução. O TPU (poliuretano termoplástico) na dureza Shore 95A é um elastômero firme: tem flexibilidade suficiente para absorver os esforços de travamento sem trincar e boa resistência à abrasão e a óleos, características importantes em um ambiente de usinagem com lubrificação constante.
Resultados: custo menor e manutenção independente
A implementação trouxe redução de 19% nos custos de fabricação da peça. O dado mais relevante para a gestão, porém, está no tempo. Cada peça passou a levar cerca de 3 horas para ser produzida, mais do que na usinagem. Ainda assim, o saldo foi positivo, por dois motivos:
- O gargalo real era a fila, não o tempo de máquina. A baixa disponibilidade do centro de usinagem gerava longas esperas. Com a manufatura aditiva, a manutenção passou a produzir sob demanda.
- A hora de máquina ficou muito mais barata. O custo por hora de um equipamento de extrusão de material é consideravelmente menor que o de um centro de usinagem.
Em campo, segundo a própria Volvo, a vida útil da peça em TPU é muito próxima à da peça de nylon usinado. Após um período de uso, também se constatou que o TPU apresenta resistência à lubrificação semelhante à do nylon, com desempenho consistente nas condições reais de operação.
O que muda para a gestão da manutenção
Ao tornar a manutenção independente de outros departamentos, a Volvo passou a ter uma fabricação enxuta das peças de reposição e uma redução significativa no tempo de parada da linha. Na prática, o projeto atua em três indicadores que costumam estar no radar da gestão industrial:
- Custo por peça: 19% menor, com um processo de hora-máquina mais barata.
- Disponibilidade da linha: a reposição deixa de depender da agenda do centro de usinagem, o que encurta paradas.
- Capacidade da usinagem: as horas liberadas no centro de usinagem voltam para as demandas que realmente exigem esse processo.
A experiência também abriu caminho para estudos de engenharia reversa em outras peças de reposição da planta. Esse costuma ser o efeito mais valioso de um primeiro projeto bem-sucedido: ele cria método.
Como estruturar um projeto de manufatura aditiva para peças de reposição
O caminho percorrido neste case pode ser replicado em outras plantas. Em linhas gerais, um projeto bem conduzido passa por quatro fases:
- Triagem das candidatas. Levantar peças de baixo volume e reposição frequente, que dependem de usinagem disputada ou de fornecedor com prazo longo e que podem parar a linha quando faltam.
- Engenharia reversa e validação dimensional. Modelar em CAD e confirmar que as tolerâncias de montagem são atendidas.
- Seleção de tecnologia e material. Definir entre filamento e resina e escolher o material pelos esforços, temperatura e fluidos da aplicação.
- Validação em campo e padronização. Testar na aplicação real, acompanhar a vida útil e documentar o processo para que a manutenção produza com repetibilidade.
Sua planta tem peças de reposição que poderiam sair da fila da usinagem?
A engenharia da Slim h7 faz a avaliação técnica de peças de reposição, ferramentas e dispositivos da sua linha e indica a tecnologia, o material e o equipamento certos para cada aplicação. Envie fotos ou desenhos da peça para começar.
Solicitar avaliação técnica pelo WhatsAppComercial Slim h7: (41) 9218-8863
Perguntas frequentes
É possível substituir peças usinadas em nylon por peças de manufatura aditiva?
Em muitos casos, sim. No case da Volvo do Brasil, uma peça de nylon PA6 que trava o movimento axial de ferramentas de furação profunda passou a ser produzida em TPU 95A por extrusão de material, com vida útil muito próxima à da original e custo de fabricação 19% menor. A viabilidade depende de tolerâncias, esforços, temperatura e contato com fluidos, por isso cada peça precisa de avaliação técnica.
Por que usar filamento TPU 95A nessa aplicação?
O TPU 95A é um elastômero termoplástico de dureza Shore 95A. Ele combina flexibilidade com boa resistência à abrasão e a óleos, o que permitiu absorver os esforços de travamento e manter o desempenho em ambiente lubrificado, com comportamento semelhante ao do nylon usinado observado em uso.
Filamento ou resina: qual tecnologia usar para peças de reposição industriais?
As duas famílias atenderam às tolerâncias geométricas desta peça. A extrusão de material (filamento) foi escolhida por se adequar melhor às necessidades do cliente e às propriedades desejadas, além de oferecer a maior gama de materiais, incluindo elastômeros como o TPU. A fotopolimerização (resina) costuma ser indicada quando a prioridade é precisão dimensional, acabamento superficial e riqueza de detalhes em peças pequenas.
A impressão 3D é sempre mais rápida que a usinagem?
Não necessariamente. Neste projeto, o tempo de máquina subiu para cerca de 3 horas por peça. O ganho veio da independência: a manutenção deixou de esperar a fila do centro de usinagem, que tinha baixa disponibilidade, e passou a produzir sob demanda, com custo por hora de máquina consideravelmente menor.
Quais peças de reposição são boas candidatas à manufatura aditiva?
Itens de baixo volume e reposição frequente, que dependem de usinagem disputada ou de fornecedor externo com prazo longo e que podem parar a linha quando faltam, como buchas, espaçadores, guias, batentes, suportes e gabaritos. Uma triagem com engenharia reversa indica quais delas compensam.