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Engenharia Reversa Impressão 3D

Case Volvo do Brasil: como a impressão 3D em TPU reduziu 19% do custo de peças de reposição

Jonathan Maia
Jonathan Maia
Cliente: Volvo do Brasil
Setor: Automotivo
Aplicação: Peças de reposição para manutenção de linha
Tecnologia: Extrusão de material (FFF) em TPU 95A
A troca de uma peça usinada em nylon PA6 por uma peça em TPU 95A, produzida por manufatura aditiva, reduziu em 19% o custo de fabricação e tirou a manutenção da fila do centro de usinagem, mantendo a vida útil da peça original.

Na fábrica da Volvo do Brasil em Curitiba (PR), uma peça pequena de reposição, essencial para a linha de furação profunda, dependia de um centro de usinagem com pouca disponibilidade e de um processo caro. Em um projeto desenvolvido com a Slim h7, a peça passou a ser produzida com impressão 3D por extrusão de material, sob demanda e dentro da própria manutenção. Este case mostra os critérios técnicos de cada decisão e o que o resultado significa para quem gerencia manutenção, engenharia de processos e custos industriais.

19%
menos custo de fabricação por peça
~3 h
de produção por peça, sem fila de usinagem
Equivalente
vida útil muito próxima à do nylon usinado

O contexto: uma peça pequena com impacto direto na disponibilidade da linha

Na furação profunda, ferramentas longas trabalham com alta exigência de alinhamento e estabilidade. Na fábrica da Volvo, uma peça usinada em nylon PA6 tinha a função de travar o movimento axial dessas ferramentas. É um componente simples na aparência, mas sua falta significa parada de linha.

Dois fatores transformavam a reposição em um problema recorrente para a manutenção:

  • Capacidade escassa no centro de usinagem. A reposição concorria por horas de máquina e enfrentava longas esperas.
  • Custo elevado de usinar nylon. O processo convencional, somado ao valor da hora de máquina, encarecia um item de consumo frequente.

A Volvo buscou então uma alternativa de processo e de material que fosse, ao mesmo tempo, econômica e confiável.

Os critérios de aprovação do projeto

O projeto partiu de quatro critérios claros, que servem de referência para qualquer avaliação de peça de reposição por manufatura aditiva:

  • Geometria: modelo CAD fiel à peça original, respeitando as tolerâncias exigidas na montagem.
  • Custo: fabricação por um valor inferior ao da usinagem convencional.
  • Prazo: produção em tempo compatível com a rotina da manutenção.
  • Durabilidade: vida útil equivalente à da peça usinada ou, se menor, custo tão inferior que compensasse a troca, sem comprometer qualidade e função.
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Peça original, usinada em nylon PA6.
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Peça modelada em CAD e produzida em TPU 95A.

A solução, em três etapas

1. Engenharia reversa e validação de tolerâncias

A primeira etapa foi desenvolver os modelos CAD da peça e verificar se a manufatura aditiva atenderia às tolerâncias geométricas da aplicação. A análise mostrou que as duas famílias de tecnologia avaliadas eram capazes disso: a extrusão de material, que trabalha com filamento, e a fotopolimerização, que trabalha com resina.

2. Filamento ou resina: a comparação entre as tecnologias

Com as duas opções aprovadas em geometria, a equipe fez uma comparação detalhada entre elas. A extrusão de material se mostrou mais adequada às necessidades específicas do cliente e às propriedades desejadas para a peça, principalmente pela disponibilidade de elastômeros técnicos como o TPU. O quadro abaixo resume como as duas tecnologias do portfólio Slim h7 se comparam:

Categoria Extrusão de material (escolhida) Fotopolimerização
Princípio Fabricação por filamento fundido (FFF) Estereolitografia por máscara (MSLA)
Precisão dimensional ± 0,2 mm ± 0,01 mm
Materiais Termoplásticos, elastômeros e compósitos Resinas fotocuráveis em 405 nm (flexível, impacto, calcináveis e de aplicações médicas)
Vantagens Maior gama de materiais; impressão multicores ou multimateriais; maior capacidade de impressão em tamanho; melhor opção de entrada para manufatura aditiva Maior qualidade superficial e riqueza de detalhes; maior uniformidade e precisão em toda a peça; maior produtividade por área; mais indicada para peças pequenas, detalhadas e produzidas em lote
Limitações Linhas de impressão bem visíveis; resistência varia conforme a orientação de impressão; precisão dimensional varia conforme o material Materiais não suportam exposição prolongada à luz UV; exige pós-processo, lavagem e pós-cura; exige furos de escape em geometrias ocas; deformação em paredes muito altas e finas
Equipamentos no portfólio Ender, séries K1 e K2 Creality; série Kobra Anycubic e Elegoo de grandes formatos Anycubic M7 e Photon Mono P1

3. Seleção do material: por que TPU 95A

A escolha do filamento TPU 95A veio de um estudo das propriedades mecânicas exigidas pela aplicação, complementado por testes de durabilidade que confirmaram a viabilidade da solução. O TPU (poliuretano termoplástico) na dureza Shore 95A é um elastômero firme: tem flexibilidade suficiente para absorver os esforços de travamento sem trincar e boa resistência à abrasão e a óleos, características importantes em um ambiente de usinagem com lubrificação constante.

Testes de aplicação peças em TPU montadas na barra
Testes de aplicação: peças em TPU montadas na barra.
Teste de montagem com o conjunto da ferramenta
Teste de montagem com o conjunto da ferramenta.

Resultados: custo menor e manutenção independente

A implementação trouxe redução de 19% nos custos de fabricação da peça. O dado mais relevante para a gestão, porém, está no tempo. Cada peça passou a levar cerca de 3 horas para ser produzida, mais do que na usinagem. Ainda assim, o saldo foi positivo, por dois motivos:

  • O gargalo real era a fila, não o tempo de máquina. A baixa disponibilidade do centro de usinagem gerava longas esperas. Com a manufatura aditiva, a manutenção passou a produzir sob demanda.
  • A hora de máquina ficou muito mais barata. O custo por hora de um equipamento de extrusão de material é consideravelmente menor que o de um centro de usinagem.

Em campo, segundo a própria Volvo, a vida útil da peça em TPU é muito próxima à da peça de nylon usinado. Após um período de uso, também se constatou que o TPU apresenta resistência à lubrificação semelhante à do nylon, com desempenho consistente nas condições reais de operação.

Peça em TPU na aplicação final, já em operação na linha da Volvo.
Peça em TPU na aplicação final, já em operação na linha da Volvo.

O que muda para a gestão da manutenção

Ao tornar a manutenção independente de outros departamentos, a Volvo passou a ter uma fabricação enxuta das peças de reposição e uma redução significativa no tempo de parada da linha. Na prática, o projeto atua em três indicadores que costumam estar no radar da gestão industrial:

  • Custo por peça: 19% menor, com um processo de hora-máquina mais barata.
  • Disponibilidade da linha: a reposição deixa de depender da agenda do centro de usinagem, o que encurta paradas.
  • Capacidade da usinagem: as horas liberadas no centro de usinagem voltam para as demandas que realmente exigem esse processo.

A experiência também abriu caminho para estudos de engenharia reversa em outras peças de reposição da planta. Esse costuma ser o efeito mais valioso de um primeiro projeto bem-sucedido: ele cria método.

Como estruturar um projeto de manufatura aditiva para peças de reposição

O caminho percorrido neste case pode ser replicado em outras plantas. Em linhas gerais, um projeto bem conduzido passa por quatro fases:

  1. Triagem das candidatas. Levantar peças de baixo volume e reposição frequente, que dependem de usinagem disputada ou de fornecedor com prazo longo e que podem parar a linha quando faltam.
  2. Engenharia reversa e validação dimensional. Modelar em CAD e confirmar que as tolerâncias de montagem são atendidas.
  3. Seleção de tecnologia e material. Definir entre filamento e resina e escolher o material pelos esforços, temperatura e fluidos da aplicação.
  4. Validação em campo e padronização. Testar na aplicação real, acompanhar a vida útil e documentar o processo para que a manutenção produza com repetibilidade.

Sua planta tem peças de reposição que poderiam sair da fila da usinagem?

A engenharia da Slim h7 faz a avaliação técnica de peças de reposição, ferramentas e dispositivos da sua linha e indica a tecnologia, o material e o equipamento certos para cada aplicação. Envie fotos ou desenhos da peça para começar.

Solicitar avaliação técnica pelo WhatsApp

Comercial Slim h7: (41) 9218-8863

Perguntas frequentes

É possível substituir peças usinadas em nylon por peças de manufatura aditiva?

Em muitos casos, sim. No case da Volvo do Brasil, uma peça de nylon PA6 que trava o movimento axial de ferramentas de furação profunda passou a ser produzida em TPU 95A por extrusão de material, com vida útil muito próxima à da original e custo de fabricação 19% menor. A viabilidade depende de tolerâncias, esforços, temperatura e contato com fluidos, por isso cada peça precisa de avaliação técnica.

Por que usar filamento TPU 95A nessa aplicação?

O TPU 95A é um elastômero termoplástico de dureza Shore 95A. Ele combina flexibilidade com boa resistência à abrasão e a óleos, o que permitiu absorver os esforços de travamento e manter o desempenho em ambiente lubrificado, com comportamento semelhante ao do nylon usinado observado em uso.

Filamento ou resina: qual tecnologia usar para peças de reposição industriais?

As duas famílias atenderam às tolerâncias geométricas desta peça. A extrusão de material (filamento) foi escolhida por se adequar melhor às necessidades do cliente e às propriedades desejadas, além de oferecer a maior gama de materiais, incluindo elastômeros como o TPU. A fotopolimerização (resina) costuma ser indicada quando a prioridade é precisão dimensional, acabamento superficial e riqueza de detalhes em peças pequenas.

A impressão 3D é sempre mais rápida que a usinagem?

Não necessariamente. Neste projeto, o tempo de máquina subiu para cerca de 3 horas por peça. O ganho veio da independência: a manutenção deixou de esperar a fila do centro de usinagem, que tinha baixa disponibilidade, e passou a produzir sob demanda, com custo por hora de máquina consideravelmente menor.

Quais peças de reposição são boas candidatas à manufatura aditiva?

Itens de baixo volume e reposição frequente, que dependem de usinagem disputada ou de fornecedor externo com prazo longo e que podem parar a linha quando faltam, como buchas, espaçadores, guias, batentes, suportes e gabaritos. Uma triagem com engenharia reversa indica quais delas compensam.

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